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PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA DE PAULO​

Alguns historiadores e teólogos afirmam que a primeira viagem foi entre o período de 46 a 49dC, já outros entre 48 a 50dC., enfim a data não é muito relevante, mas sim o que aconteceu nessa primeira viagem!

Paulo juntamente com Barnabé e mais alguns líderes estavam pastoreando e ensinando na Igreja em Antioquia da Síria, até que numa manhã de devocional entre a liderança, receberam uma revelação do Espírito Santo: “Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado, e jejuando, orando, impuseram as mãos sobre eles e os enviaram!” Atos 13:1-3

A Igreja de Antioquia da Síria se tornou uma base sólida da Igreja, um verdadeiro QG missionário da Igreja Primitiva, uma igreja que estava alcançando tanto judeus como gentios.

Barnabé, mais experiente e acostumado a viajar a serviço da igreja de Jerusalém, inicia a empreitada liderança nesta missão. Saulo regozijava-se, cheio de expectativas; afinal, desde que o Senhor lhe aparecera, esperava cumprir a real vontade do Senhor.

Um jovem João, de sobrenome Marcos, sobrinho de Barnabé, foi convidado para esse desafio missionário e partiram. (Colossenses 4:10).

Saem de Antioquia da Síria e caminham 26km, até o principal porto da região, em Selêucia Piéria – o Porto de Antioquia, onde encontraram um navio de carga com destino a Chipre, que chegando lá, traçariam o roteiro desta missão.

Chipre, ilha localizada ao sul da costa da Cilícia (Atual Turquia) no mar Mediterrâneo, local onde Barnabé havia nascido e crescido ali, por isso conhecia muito bem a região (Atos 4:36), que ficava cerca de 210Km a sudoeste da Selêucia.

Chegaram à cidade portuária de Salamina/Chipre, centro comercial cipriota. Talvez Barnabé esperasse compartilhar o Evangelho com a família e os amigos da considerável comunidade judaica que ali residia. Possivelmente havia até uma pequena comunidade de cristãos judeus, uma vez que vários crentes foram para Chipre depois do martírio do diácono Estevão (Atos 11:19). Segundo a tradição, Barnabé foi martirizado em Chipre, por volta do ano 75dC, e sepultado perto de Salamina, onde servia como bispo das Igrejas.

Não demoraram mais que dois dias a chegarem à cidade. Passaram algumas semanas anunciando a Palavra de Deus nas sinagogas locais, viajaram por toda a ilha, partiram, seguindo pelo litoral, rumo a Pafos, na costa sudoeste, capital administrativa de Chipre. Atos 13:4-5 (ruínas dessa cidade portuária podem ser encontradas hoje na atual aldeia de Baffa). Eles frequentavam a sinagoga no sábado e se reuniam com uma congregação de judeus para estudar as Escrituras e orar, e como Paulo, Barnabé e Marcos eram, todos, judeus, puderam se conectar de uma forma natural e costumeira com a comunidade judaica em Salamina.

Chipre era considerada a terceira maior ilha do mar Mediterrâneo (com cerca de 226km de comprimento e 100km de largura), e sua localização é estratégica comercialmente, pois fica perto de locais como Grécia, Ásia Menor, Síria e Egito. Segundo um antigo escritor judeu, Fílon, a ilha era cheia de colônias judaicas. Muitos dos judeus ali residentes tornaram-se ricos proprietários de terras e exportavam o vinho que era usado no Templo de Jerusalém, no dia da Expiação. Os romanos dividiram Chipre em quatro distritos: Pafos, Salamina, Amatos e Lapeto, sendo Pafos a capital da província.

Falavam do amor de Deus e muitos se convertiam, quando passaram por Kition, atual Lárnaca, em Chipre (a Bíblia não relata essa parada, mas segundo a tradição ortodoxa, eles encontraram Lázaro, amigo de Jesus, a quem o Mestre ressuscitara da morte para a vida, na aldeia de Betânia, junto às suas irmãs Marta e Maria; eles teriam migrado para lá durante a primeira perseguição religiosa em Jerusalém, pois os principais sacerdotes estavam tentando matar a Lázaro, pois se tornara uma prova viva do poder de Jesus; onde segundo a mesma tradição, Paulo e Barnabé, consagram Lázaro bispo daquela região, onde permaneceu até a sua morte em 61dC.).

Continuaram a viagem margeando o litoral e, após percorrerem 200km em algumas semanas de viagem, passando pelo local onde Afrodite, a “deusa do amor de acordo com a mitologia grega”, teria nascido, finalmente chegaram a Pafos. Idólatra, o povo dali se deixava fascinar pelo ocultismo.

O escritor romano Caio Plínio Segundo – ou Plínio – o Velho – afirma, em seu livro História Natural, que o ocultismo atraía muitos desde os tempos mais antigos – como Janes e Jambres, sobre os quais, Moisés já escrevera (2 Timóteo 3:8). Milhares de pessoas, especialmente os habitantes da ilha de Chipre, anualmente, seguiam os ensinamentos de Zoroastro, um falso-profeta e poeta persa, fundador do Zoroastrismo, uma religião monoteísta.

Os cipriotas tinham um forte envolvimento com a feitiçaria, consultavam videntes, lançavam mau-olhado para prejudicar quem invejavam, usavam amuletos e acreditavam em superstições. Muitos pediam favores às entidades do mundo invisível, tais como a conquista de um amor ou mesmo a morte de uma pessoa. Em uma época na qual poucos chegavam aos 40 anos de idade, e a medicina era bastante rudimentar, recorrer ao ocultismo em busca de curas e respostas era comum naquela região.

Em Pafos, o trabalho de evangelização de Barnabé e Saulo se iniciou como de costume nas sinagogas, anunciando que Jesus é o Messias prometido. De acordo com relatos da tradição, a resistência às Boas-Novas aumentou de tal maneira que Saulo foi açoitado pelos judeus enquanto pregava em uma sinagoga nessa cidade. Tal informação condiz com as Escrituras, pois o próprio apóstolo afirmou ter sido açoitado em cinco ocasiões pelos judeus e em três pelos romanos (2 Coríntios 11:24-25)

Não demorou muito até que a notícia de que dois pregadores judeus anunciavam costumes diferentes corresse a cidade. Barnabé e Saulo pregavam com tanta intrepidez, que o procônsul Sérgio Paulo, governador da província, quis saber um pouco mais a respeito da fé cristã e os convidou para uma audiência em seu palácio. Nesse encontro, estava presente também um falso profeta chamado Elimas BarJesus, um adivinho famoso na localidade. Amigo do governador, ele era contra os ensinamentos de Jesus.

Enquanto os apóstolos anunciavam a Palavra, o vidente desviava a fé do procônsul. Saulo, que, a partir daquele instante, assumiria seu nome grego Paulo, impelido pelo Espírito Santo, advertiu o mentiroso: “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?” (Atos 13:10). Então, tomado de autoridade no Nome de Jesus, afirmando que a mão dEle pesaria sobre Elimas, deixando-o cego.

Na mesma hora, as vistas do falso profeta escureceram, e ele tateou o ar em busca de quem o ajudasse. O governador de Chipre se maravilhou com o poder de Deus e creu na mensagem dos discípulos, sendo o primeiro líder romano a abraçar a fé cristã nesta viagem e na ilha de Chipre! (Atos 13:6-12).

Saíndo de Pafos, Paulo e Barnabé navegaram 240km ao norte até a costa da Panfília, uma região pantanosa de clima quente e úmido – condições hostis à permanência deles. De lá, seguiram mais 20km rio Cestro acima até Perge, província no Sul da Ásia Menor. Na cidade, havia muitos templos dedicados a divindades, tais como Ártemis (deusa da fertilidade) e Fortuna (deusa da sorte). Nos dias atuais, é um sítio de ruínas, a leste da Antália, de onde se pode ver um teatro e um estádio antigo com 12 a 14 mil lugares respectivamente.

Aportaram em Magidus, em Perge, que fica na Costa Mediterrânea, de onde João Marcos se apartou de Paulo e Barnabé, regressando a Jerusalém. Marcos regressa, mas permanece fiel no serviço ao Senhor, e posteriormente vai ao encontro do apóstolo Pedro, e em conversa com Pedro, ele escreve o Evangelho Segundo Marcos, e em outras ocasiões se encontra com Paulo, que o considerava muito útil ao ministério. (Colossenses 4:10; 2 Timóteo 4:11; Filemon 24), e após a morte de Paulo e Barnabé, segundo a tradição, ele foi consagrado a apóstolo e foi para Alexandria no Egito, e aos 54 anos, foi martirizado, tendo seu corpo arrastado por uma parelha de cavalos pelas ruas.

Paulo e Barnabé não se detiveram muito tempo em Perge, continuando a jornada por mais 240km rumo à Antioquia da Pisídia, atual Ialovaque, na Turquia. Cidade montanhosa, diante dos acidentados montes Tauro ao norte, que mesmo da costa, é possível ver os picos impressionantes dos montes Tauro, que ficam cobertos de neve do início do outono até o final da primavera; cidade esta que era a mais importante da Galácia do Sul, indo pela Via Sebaste – uma Estrada Imperial, estreita e desafiadora, serpenteava picos e vales, além de ser isolada e infestada de ladrões, o que exigia atenção dos viajantes. Atos 13:13-14

Segundo a sugestão de sir William M. Ramsay é que eles pretendiam evangelizar a Panfília, mas algo mudou seus planos. Segundo a tese de Ramsay, Paulo foi para a Galácia porque estava com uma grave “espécie de febre crônica decorrente da malária”, que contraíra em Perge. Afinal, o próprio Paulo afirma que foi por causa de uma doença que ele pregou na Galácia (Gálatas 4:13-14). Ele e Barnabé podem ter procurado a localização mais elevada (cerca de 1.000 metros acima do nível do mar), e o clima mais frio de Antioquia da Pisídia, por causa da fadiga e da tensão decorrentes das viagens feitas até então. Quando Paulo e Barnabé estavam a cerca de 30km a noroeste de Atália, eles cruzaram os montes Tauro por uma passagem natural chamada Clímax, antes de pegar uma descida suave até a planície da Anatólia. Enquanto viajavam pela Estrada Imperial, eles devem ter passado por Comama, uma colônia romana de tamanho considerável, bem como por outras cidades menores espalhadas ao longo do caminho. Também contornavam vários grandes e belos lagos, de água salgada e doce, antes de chegarem a Antioquia da Pisídia/Galácia.

Entraram na cidade num dia de sábado e como de costume entraram em uma sinagoga. Depois da exposição da Lei e dos Profetas, os principais do templo convidaram os estrangeiros a transmitirem uma palavra de encorajamento aos presentes. Paulo subiu à tribuna e, após solicitar silêncio, começou o discurso Atos 13:15.

Palavras poderosas saíam dos lábios dele, e a história de Israel era recontada. Paulo trazia à memória daquele povo já sem esperança as promessas divinas – todas elas cumpridas em Jesus e na vida de quem cresse em Seu Nome. Os apóstolos testemunharam isso e, agora, espalhavam essa Boa-Nova.

A mensagem impactou tanto os gentios e os judeus presentes, que, ao fim da reunião, pediram aos missionários que voltassem no sábado seguinte. Queriam saber mais da graça de Deus. Atos 13:16-42

A Galácia cobria uma grande área na região central da Ásia Menor. Seu nome deriva dos gauleses, mercenários da Europa que haviam invadido a região em 278-277aC., a convite do rei da Bitínia, que permitiu que eles se instalassem nas áreas ao norte de Pessinus, Ancira, Gorbeus e Távia.

Os gauleses se espalharam por toda a região usando sua força militar e fixaram residência em diversas cidades. A região ficou conhecida como o reino da Galácia, e sua capital era Ancira. Os gauleses mantiveram sua cultura, seu idioma e sua religião céltica, embora tenham adotado a adoração de uma deusa local chamada Cibele. Mais tarde, eles se aliaram a Roma. Quando Amintas, o último de seus reis, morreu em batalha no ano de 25aC., todo o reino deles ficou sob o controle romano.

O imperador Augusto transformou o reino da Galácia em uma província imperial e incorporou ao sul uma quantidade significativa do território que um dia pertencera à Frígia, Pisídia, Isáuria e Licaônia. Paulo ministrou somente nas cidades do sul, como Antioquia da Pisídia (atual Turquia) considerada a cidade mais importante do sul da Galácia no que se refere à economia, política e cultura, havendo mais de 50 aldeias ao redor dela, porém, Paulo ministrou em Icônio, Listra e Derbe, que abrigavam romanos, judeus e povos autóctones da Frígia e da Licaônia.

 

Passada uma semana, quase toda a cidade esperava os forasteiros à porta do templo, e um grupo de judeus incrédulos se encheu de inveja. Assim que Paulo começou a pregar, esses religiosos blasfemaram, contradizendo cada palavra do apóstolo. Então, Barnabé e ele afirmaram, com ousadia, ser necessário que a Palavra de Deus fosse, primeiro, rejeitada pelos Seus, chegando a quem nela cresse. Atos 13:43-47; Romanos 1:16. Citando o profeta Isaías, disseram: Também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. Isaías 49:6.

Ao ouvirem essas coisas, os gentios se alegraram, crendo que a salvação também lhes fora concedida por intermédio de Jesus, o Filho de Deus. Os judeus, no entanto, não aceitando aquela situação, incitaram mulheres e homens de elevada posição social a perseguirem Paulo e Barnabé até expulsá-los da Antioquia da Pisídia. Em sinal de desprendimento, os discípulos sacudiram a poeira dos pés, deixando a cidade cheios de alegria do Espírito Santo pelas almas resgatadas. Ainda assim, a Palavra do Senhor se espalhava pela região. Atos 13:48-52.

Após 140 ou 150km de caminhada, chegaram a Icônio, atual Konya, na Turquia, uma das principais cidades da Galácia, foi a parada seguinte dos missionários. Uma cidade localizada na margem noroeste de um planalto elevado e fértil situado a cerca de 1.200 metros acima do nível do mar.

Próspera e bastante populosa, a cidade abrigava judeus e gentios.

Como de costume, Paulo e Barnabé entraram em uma das sinagogas e, com fé, começaram a proclamar a mensagem da cruz. Atos 14:1.

Uma multidão creu no Cristo ressurreto, mas isso corroeu de pavor os incrédulos, que instigavam os ânimos dos não judeus contra os discípulos. Os servos do Senhor não se amedrontaram, permanecendo muitos dias ali, e Deus, por Sua infinita misericórdia e Seu amor, realizou diversos sinais pelas mãos deles. Atos 14:2-3.

Entretanto, quanto mais Paulo e Barnabé pregavam, mais os opositores achavam ocasião contra eles, até que todos se viram divididos entre quem os apoiava ou repelia, principalmente na questão da justificação pela fé, e afirmar que não precisavam circuncidar mais, e, nem seguir os costumes judaicos. Aqueles que desprezavam a mensagem anunciada pelos discípulos não conseguiram inibir a pregação deles; então, reuniram-se com os principais da cidade, organizando um motim para os insultarem e apedrejarem (Atos 14:4-5).

Ao tomarem conhecimento que os oponentes estavam tramando para matá-los, Paulo e Barnabé seguiram as recomendações de Jesus e, prudentemente, saíram de lá (Mateus 10:23). Depois de andarem 36km, chegaram à cidade de Listra, atual Hatum Sarai, na Turquia, na região da Licaônia (Atos 14:6). Eles procuraram uma sinagoga onde pudessem anunciar a Palavra de salvação aos licaônicos. Naquela cidade, porém, não encontrando qualquer templo judeu, pois a população judaica era tão pequena que não conseguiam manter uma sinagoga local, de modo que os judeus praticavam sua fé individualmente, em casa, e liam as Escrituras na tradução grega do Antigo Testamento (a Septuaginta), mas mesmo assim, os apóstolos dispuseram-se a pregar ao ar livre, provavelmente em algum lugar entre o Odeon (teatro) e a Ágora (praça do comércio). Atos 14:7.

Não se sabe quantas pessoas davam atenção aos pregadores, mas, concentradas, escutavam cada palavra de Paulo. Enquanto o apóstolo falava, ele percebeu, no meio do ajuntamento, um coxo que, prestando atenção à mensagem, recebeu a fé em seu coração. Sem titubear, Paulo lhe ordenou: “Levanta-te direito sobre teus pés!”

Sem olhar para a sua condição, mas crendo que a ordem viera de Deus, aquele coxo se levantou e, em um salto, andou, glorificando o Senhor com muita alegria pela cura. Então, o espanto surgiu no meio de quem o via andar perfeitamente: aquele coxo pulava, louvando a Deus e abraçando os apóstolos. Todos ficaram maravilhados, mal acreditando na cena que testemunhavam! Muitos conheciam aquele homem: ele jamais caminhara. Assim, somente algo sobrenatural seria capaz de reverter a sua condição. O acontecimento foi interpretado como uma ação direta dos deuses, armando, assim, o necessário para uma comoção pública.

- Fizeram-se os deuses semelhantes aos homens e desceram até nós! – exclamaram os presentes em língua licaônica.

Em alta voz, quem estava ali deu nomes de deus aos apóstolos: Paulo era Mercúrio, pois tinha eloquência, e Barnabé era Júpiter, a divindade patrona local. O fato atraiu a atenção, e logo mais pessoas engrossaram o coro, reverenciando-os. O contexto em que Paulo e Barnabé anunciavam a Palavra era de total idolatria; portanto, um desafio e tanto para eles.

Mercúrio, cujo nome latino é Mercurius, derivado da palavra merx, significa comerciar. Considerado o deus defensor dos negociantes romanos, era identificado pelos gregos como Hermes – mensageiro do Olimpo e guia dos homens até a morte.

O nome Júpiter significa pai do céu. Na mitologia grega, equivale a Zeus – governante supremo de todos os deuses. Venerado pelos romanos como controladores dos dias, tem o raio como símbolo e arma letal. Na antiguidade, era considerado o guardião das propriedades e o protetor do povo, que, em sacrifício, oferecia-lhe animais de cor branca.

Após os terem chamado de deuses, rapidamente alguém correu para o templo de Júpiter, que ficava na entrada da cidade. O sacerdote principal, ouvindo relatos do que acontecera, correu para onde a confusão se instalara. Um “milagre” daquele tornara a situação especial. Ele arrumou grinaldas e touros, a fim de oferecer aos “deuses encarnados”. Os servos de Deus, porém, buscavam desesperadamente impedí-las de fazerem tais sacrifícios. Então, eles se desvencilharam do tumulto e, rasgando as próprias vestes, clamaram: “varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões...”

Então, Paulo advertiu-os de que deixassem essas práticas e se voltassem para o Deus verdadeiro. Muitos deles acreditavam ser prósperos, porque falsos deuses se agradavam de seus sacrifícios, mas o apóstolo lhes garantiu:

- Vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, e a terra, e o mar, e tudo quanto há neles; o qual, nos tempos passados, deixou andar todos os povos em seus próprios caminhos; contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria o vosso coração.

Os homens de Deus conseguiram, com dificuldade e após bastante tempo, controlar os habitantes de Listra. No entanto, logo após os missionários dissuadirem a multidão, chegaram líderes judeus vindos de Icônio e da Antioquia da Pisídia. Esses religiosos haviam caminhado mais de 180km determinados a impedir Paulo de continuar a sua missão, argumentando que tanto ele quanto Barnabé queriam destruir o culto aos deuses e trair César.

O que era admiração se transformou em fúria e violência contra os dois apóstolos. Logo, os gritos: ‘Morte aos traidores!” aumentaram, e nada conseguiu impedir o levante. O milagre que o Senhor fizera momentos antes por intermédio de seu servo não fora levado em consideração por aquela gente, que, recolhendo pedras do chão, começaram a arremessá-las contra Paulo – incrivelmente, os agressores não se atentaram para Barnabé, que não sofreu qualquer ataque.

O homem de Tarso experimentou a dura hostilidade que ele, antes de seu encontro com Jesus em Damasco, aprovara contra Estêvão. Nem a voz forte do apóstolo conseguiu parar o massacre; assim, uma saraivada de pedras o atingiu, levando-o ao chão. Paulo não esboçou mais reação, fazendo seus perseguidores se afastarem satisfeitos dali – o eloquente pregador estava inerte e ensanguentado, imaginavam estar ele morto.

Naquele tempo, o apedrejamento cessava apenas quando a pessoa morria. Não se pode afirmar se o apóstolo, de fato, faleceu, mas a Palavra afirma que os discípulos o cercaram. O que eles fizeram em seguida? Decerto, agiram exatamente como Jesus. Barnabé e os demais oraram pela vida de Paulo. Enquanto clamavam, o poder de Deus agiu, e o apóstolo se levantou mesmo muito machucado.

Em Gálatas 6:17, Paulo escreve acerca das marcas que trazia no próprio corpo, muitas delas, provavelmente, no rosto.

Logo após ficar de pé, o apóstolo voltou a entrar em Listra, permanecendo ali até o dia seguinte, quando partiria, ao lado de Barnabé, para uma caminhada de 100km até Derbe, uma pequena cidade fronteiriça da Licaônia, localizada perto da fronteira da Cilícia e da Capadócia, a sudeste de Listra. Ao que tudo indica, detiveram-se alguns meses nessa cidade. Ali, falaram com liberdade a respeito do Salvador, e muitos moradores se tornaram seguidores de Cristo. Atos 14:11-20.

Jubilosos com o resultado dessa viagem missionária, Paulo e Barnabé, direcionados pelo Espírito Santo, decidiram refazer o trajeto até Antioquia da Síria. Milhares de pessoas haviam se rendido ao amor do Senhor, e, agora, eles precisavam revisitá-las. Atos 14:21.

 

À medida que passavam pelas cidades, fazendo o caminho inverso – Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia – os missionários incentivavam os novos cristãos a perseverarem na fé. Paulo e Barnabé lhes avisavam que todos quantos escolhem seguir o Caminho passam por tribulações em Nome de Cristo, mas nada disso ofusca o galardão preparado para esses no Reino dos céus (Filipenses 3:12-14). Em cada igreja formada, consultavam o Senhor, nomeando presbíteros responsáveis pela edificação das ovelhas que ali se reunissem. Atos 14:22-23.

Após cruzarem a Antioquia da Pisídia e Panfília, seguiram em direção a Perge e pregaram o Evangelho. De lá, foram até o importante porto marítimo da Atália, atual Antália, na Turquia, onde, com o sentimento de dever cumprido, embarcaram rumo à Antioquia da Síria – lugar onde foram comissionados por Deus para a obra.

Com os irmãos antioquianos, compartilharam as diversas experiências que tiveram nos mais de dois anos de missões. Deus fizeram maravilhas pelas mãos de Paulo e Barnabé, e o Espírito Santo encontrou morada no coração de todos quantos creram no Nome do Senhor. Houve cura, libertação, e muitas igrejas foram fundadas, ficando sob a liderança de homens qualificados e escolhidos pelo Altíssimo. Quem ouvia os apóstolos relatarem o agir divino na obra missionária se impressionava com o número de gentios convertidos. A porta da fé estava aberta às nações. (Atos 14:24-28).

No fim da vida, Paulo refletiu sobre sua experiência nessas cidades quando escreveu a Timóteo: “Mas você seguiu meu ensino, minha conduta, meu propósito, minha fé, minha paciência, meu amor e minha perseverança, bem como as perseguições e os sofrimentos que vieram a mim em Antioquia, Icônio e Listra. Que perseguições sofri! E ainda assim o Senhor me resgatou de todas elas”. 2 Timóteo 3:10-11. As igrejas da Galácia eram preciosas para Paulo, porém, foram estabelecidas por ele com muito sangue, suor e lágrimas.

Quando chegaram a Antioquia da Síria, contaram aos discípulos tudo o que Deus havia feito entre os gentios em sua missão. Paulo, então, retomou seu ministério entre os discípulos em Antioquia por um “tempo considerável”. Atos 14:28.

Foi nessa época que ele recebeu notícias de que, nas igrejas da Galácia, um grupo de mestres judeus haviam semeado confusão entre os crentes gentios sobre a natureza do Evangelho. As igrejas da Galácia estavam enfrentando uma crise, pois os crentes estavam sendo convencidos de que precisavam ser circuncidados e seguir a Lei de Moisés para serem justos diante de Deus. Paulo ficou perturbado, pois sabia que a fé em Cristo, por meio da graça de Deus, era plenamente suficiente para justificá-los por completo. Em resposta, ele escreveu uma carta às Igrejas da Galácia.

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